Feliz, contente, alegre.

por Lucas França. Dia 29 de agosto de 2015, 19:41, lua cheia e sopa de ervilha na mesa do jantar.

Eu comecei a escrever esse texto pensando em discorrer sobre meus relacionamentos amorosos, mas eu apaguei tudo. Na real, eu nem sei sobre o que eu quero falar, só quero escrever. Livre, leve, solto e sem “desmunhecar”. Sem preconceitos, no amor, de coração e todo nariz.

Sem saber por onde começar, quero dizer que estou feliz. Contente e ponto.  É sincero, justo, pessoal e, sei lá por qual razão, estranho. Não é que eu seja uma pessoa triste ou coisa do tipo, pelo contrário, eu até sou o mais empolgado dos meus amigos, mas eu estou realmente alegre.

Feliz, alegre, contente, sorridente, mostrando os dentes. Use qualquer palavra pra tentar definir meu momento. Eu estou isso tudo e mais um pouco. Só não me perguntem o motivo, eu não tenho a menor ideia. Aliás, o que eu mais tenho é razões para não estar explodindo em festa.

Tem conta pra pagar, matemática pra estudar, texto pra escrever, livro pra ler, lugar pra ir e pouco tempo pra dormir. E não é só isso que tá acontecendo. Enfim, esses “problemas” até assustam um pouco e seriam propulsores de grande estresse, mas hoje não. Hoje é dia de dar beijo na boca da meretriz e chamar o cachorro de “meu amor”.

Continuando sem saber por onde começar, quero finalizar porque tem “Narcos” pra assistir. Esse texto sem propósito, encaixado numa sequência de parágrafos com quase o mesmo tamanho e conjugações semelhantes de verbos distintos, é só uma desculpa esfarrapada pra que eu possa olhar, através das minhas linhas, bem dentro do seu olho e dizer:

Irmãozinhos e irmãzinhas, fiquem felizes mesmo que sem motivo. Liga pra tal mina que você sempre quis, ou pro moleque que tira teu sossego. Abraça teu amigo, joga bola com o vizinho, grita “gol” contra seu time rival. Toma sorvete, olha a Lua e agradeça, dá um beijo na tua mãe. Seja simples. Seja feliz.

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Uma carta para minha professora

A explanação desta carta é autorizada por mim, Lucas França, um romântico chato, e pela própria Cecília, uma pessoa tão doce que parece torta de chocolate.

Rio de Janeiro, 29 de setembro de 2014

Olá Cecília,

Quando você nos passou a proposta de criação e elaboração de um trabalho sobre a ideia de que existem certas coisas que o homem não tem controle, fiquei pensando e pensando sem parar. Inúmeros modos de fazê-lo me vieram a mente. Imagens, poemas, rimas, músicas, contos, diálogos… Após pensar tanto, cheguei na conclusão que só consigo me expressar, em relação a este tema, da maneira mais honesta e verdadeira que encontrei. Uma carta. Eu, Lucas, com toda liberdade de escrita e elaboração textual falando pra você, professora, o que eu penso a respeito do que é incontrolável.

Creio que exista uma dupla ideia dentro do conceito de “destino”, visto que acredito no fato que sim, temos uma razão para estar aqui e existe algo guardado para cada ser humano no planeta. No entanto, o livre arbítrio de tomada de decisões e escolhas mostra-se fator determinante para o andamento da vida de cada indivíduo. Sendo apresentados estes dois lados da “moeda do destino”, se assim posso dizer, penso que até certo ponto trilhamos um caminho já decidido, mas no entanto, quem faz esse caminho somos nós mesmos. No fim as coisas não mudam, mas o meio pelos quais nós chegamos no final pode ser alterado. Talvez, tão alterado que até o mude o desfecho.

Ao pensar no caso de algo incontrolável, pensei em duas coisas, dois sentimentos que, apesar de tudo, são mais concretos do que qualquer coisa. Amor e dor. Uma linha tênue os separa. Pobre linha. Durante uma vida, é impossível não amar, faz parte do destino. Amar o próximo, amar seu time, seus pais, sua namorada, seu cachorro. Amar, pura e simplesmente. Não digo aquelas pessoas que espalham amor por aí e tudo mais. Só amar alguma coisinha já basta.

Sentir dor entra no mesmo caminho. Dor de cabeça, dor de barriga, dor no pé… Mas a dor na alma bem que podia ser evitável, não é? Uma dor que não se pode lutar, não se pode combater. Ou melhor, até se pode enfrentar tal dor, mas pra isso a disposição de sentir mais dor pra que a dor da alma acabe é pouco atraente aos olhos da grande maioria das pessoas.

Dor e amor, até rimam, de tão juntos que andam.

Intensos, fortes, inevitáveis. Em algum momento no decorrer de nossas vidas ficaremos reféns desses sentimentos. Que fique claro que o amor é supremo, pois pode tanto causar quanto acabar com uma dor. Doce amor, amargo amor.

Espero que você entenda o que quis transmitir, professora. Que você saiba que suas aulas têm me ajudado muito, tanto no quesito de ensino como na questão de vida. Minhas quintas-feiras agora fazem sentido. Não é puxa saquismo ou demagogia, é apenas um retorno de seu trabalho.

Com amor, um pouco de dor,

Lucas.