Uma Carta ao Alê Abreu

Sobre voltar a ser criança e perceber o quão bom é ser infantil.

Cidade do México, 16 de janeiro de 2016. Duas horas depois de ter assistido ¨O Menino e o Mundo¨ na Cineteca Nacional.

Oi Alê,

Meu nome é Lucas França da Silva, tenho 18 anos, carioca e estou te escrevendo essa carta como um simples agradecimento.

Vi ¨O Menino e o Mundo¨ e posso te dizer que refleti e fiquei muito feliz. Cresci assistindo animações, aquelas mais tradicionais possíveis. Conforme fui crescendo, as deixei um pouco de lado. Passei a acreditar que elas fossem de um universo infantil. Para minha surpresa, eu estava certo, porém com a intenção errada. A jornada do Menino fez com que eu voltasse a olhar para minha criança interior e percebesse o quão grandiosa, corajosa e sincera ela pode ser. Obrigado.

Algo que me chamou atenção foi o momento de despedida do Pai com o Menino. Tornando esse momento o mais íntimo possível, era daquele jeito que eu fazia com meu próprio pai. Agarrava as pernas e acreditava que ele iria, mas com certeza estaria de volta logo, logo. Lembrei da minha infância, quando eu não entendia a língua dos adultos, dos meus pais, mas queria estar perto deles a todo custo. Agora que estou longe, na Cidade do México, esse momento só se intensificou. Obrigado.

Durante todo meu Ensino Médio, estudei Roteiro para Mídias Digitais, no Colégio Estadual José Leite Lopes e pude me aproximar da realidade cinematográfica. Sabendo da indicação de “O Menino e o Mundo” ao Oscar, quero te agradecer por fazer a rapaziada como eu, que é apaixonada por cinema, acreditar na sétima arte nacional. Não é pelo prêmio, longe disso, mas sim por fazer o Brasil crer.

Não retirando o tom de agradecimento e alegria, o único fator que levemente me entristece é o público alcançado com o filme. “O Menino e o Mundo” deveria ser distribuído amplamente, saindo de festivais e salas de cinema menos acessíveis. Do Oiapoque ao Chui, o Menino precisa passar por diversos mundos existentes no nosso país.

Falo de verdade verdadeira. Ganhando ou não o Oscar, passando no Rio, México, EUA, Europa ou nos lugares mais malucos do mundo, “O Menino e o Mundo” me fez sentir, sorrir, sonhar e acreditar. O cinema é isso. Obrigado por fazer cinema. Cinema brasileiro aos olhos de um criança, como diria Emicida.

Obrigado.

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Este texto é o segundo dos filmes brasileiros relacionados ao Oscar 2016. O primeiro é o “Uma Carta à Anna Muylaert”, do Victor Liporage e se encontra aqui.

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